Quatro décadas de amor ao Paraguai

24 de maio de 2017

Quando foram nomeados nossos missionários, em 1977, Carlos Alberto e Lidia Klava da Silva seriam enviados para a Venezuela. No entanto, o casal seguiu temporariamente para o Paraguai, enquanto aguardavam o visto de residência da Venezuela, mas ele foi negado. O jovem casal entendeu que Deus tinha outros planos, e o tempo mostrou que o Paraguai era a vontade do Senhor para suas vidas.

Logo de início, algo que chamou a atenção dos missionários foi a idolatria, “uma realidade que ia muito além da nossa mat_paraguai_carlos-albert-silva_lidia klava_foto-antigaimaginação”, segundo Lidia, pois “não era nada fácil romper a barreira do entendimento das pessoas nessa questão. Hoje a idolatria continua, mas há abertura para o diálogo”. E uma dificuldade foi viver na primeira cidade onde atuaram, no interior do Paraguai.

“Ali se falava 20% em espanhol e 80% em guarani, e nos sentimos ‘analfabetos’ por muito tempo”, recorda o Pr. Carlos Alberto da Silva, que lembra também a restrita liberdade religiosa naqueles tempos por causa da ditadura de Alfredo Stroessner.

“Naquela época, muitos brasileiros estavam emigrando para o Paraguai, e de certa forma os brasileiros eram vistos como invasores, e nós, enquanto missionários, éramos chamados pejorativamente de ‘evangelhos’ (evangélicos)”, conta Carlos Alberto.

No Paraguai, atuaram em lugares como Hernandarias, onde uma igreja foi organizada e o templo foi construído. Em Assunção, a Igreja Batista La Buena Nueva (“A Boa Nova”, em português) também foi pastoreada por nossos missionários, que também passaram por Luque, Naranjal e Ciudad del Este.

Durante todos esses anos, Carlos Alberto e Lidia participaram sempre de congressos denominacionais com treinamento para obreiros, o que é especialmente percebido atualmente através do PEPE na América do Sul.

Em quarenta anos, os missionários ressaltam que muita coisa mudou: valores, aumento da criminalidade, intensificação dos vícios e imoralidade, mas também veio o desenvolvimento, indústrias, melhores hospitais.

“Também no campo da evangelização, a mensagem do Evangelho é a mesma, mas as ferramentas através das quais alcançamos as pessoas têm sido diferentes”, diz Lidia. “Por exemplo, quando chegamos ao Paraguai, o único meio para pregar o Evangelho era através do contato pessoal e distribuição de literatura. A liberdade religiosa era muito controlada, e reuniões realizadas fora do templo eram consideradas suspeitas”, lembra a missionária.

Lidia conta que, quando qualquer pessoa queria fazer uma reunião, religiosa ou não, deveria comunicar à polícia indicando hora, local e número de participantes.

“Com o fim da ditadura, a liberdade de culto passou a ser irrestrita, permitindo inclusive o uso dos meios de comunicação em massa. Hoje continuamos pregando o Evangelho através do contato pessoal, mas também usando outros meios, como o esporte, grupos de evangelização, encontros nos lares para estudar a Bíblia, além do serviço social prestado à comunidade através do PEPE, que tem transformado a visão da igreja na sua estratégia de evangelizar”, diz o Pr. Carlos Alberto.

A partir de 2002, o campo missionário se expandiu para outros vizinhos latino-americanos, ficando mais restrito à América mat_peru_pepe_lidia-klava_yonnydo Sul nos anos mais recentes. Foi quando Lidia Klava da Silva passou a apoiar e depois coordenar o programa socioeducativo promovido por Missões Mundiais na região, onde quase 6 mil crianças são beneficiadas em 289 unidades espalhadas por sete países (Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela).

Para a coordenadora do PEPE Internacional, missionária Terezinha Candieiro, compartilhar do ministério com Carlos Alberto e Lidia é algo que lhe traz muita alegria.

“Nesses 15 anos que servem no PEPE, somos testemunhas da dedicação e da força mesmo em meio a situações adversas, da disposição no serviço em incontáveis viagens e dos frutos da salvação e edificação na vida de tantas crianças, famílias e comunidades”, afirma Terezinha. “Tudo isso nos inspira a prosseguir servindo com amor ao Senhor. Parabéns, queridos irmãos e companheiros de ministério”, completa.

O coordenador regional de Missões Mundiais para a América Latina, Pr. Ruy Oliveira Jr., também expressa sua gratidão a Deus pelas vidas de Carlos Alberto e Lidia.

“Nossos queridos missionários nos inspiram com seu testemunho e com o seu amor pelas vidas, principalmente dos pequeninos que têm sido alcançados para Jesus. O Paraguai tem sido impactado pela vida de oração, dedicação e esforço em demonstrar o amor de Cristo ao povo paraguaio. O casal tem participado ativamente na expansão do PEPE. Somos gratos a Deus pela vida de nossos queridos missionários”, declara o Pr. Ruy.

Em quatro décadas, certamente houve momentos de tristezas e frustrações, mas também de muita alegria e superação. É o que relatam nossos missionários.

“Ao olhar para esses 40 anos de campo, nossa maior alegria é ver vários jovens que levamos a Cristo e foram chamados para mat_paraguai_carlos-alberto-silva_lidia-klavase preparar em seminários e que continuam atuantes no Reino de Deus, trabalhando como pastores e missionários”, diz o Pr. Carlos Alberto.

“Outra grande alegria é ver como Deus escreve novas histórias na vida de crianças e suas famílias que participaram do PEPE e hoje têm seus nomes escritos no Livro da Vida. Várias dessas famílias hoje têm perspectivas e novas alegrias que seguramente alegram o coração de Deus e o nosso também”, afirma a missionária Lidia Klava.

O casal expressa também sua gratidão aos batistas brasileiros, que durante esses 40 anos o apoiam em todas as áreas para que o Reino de Deus possa crescer e vidas sejam restauradas e transformadas.

E agora, 40 anos depois, o casal revela que, naquela época, chegou a fazer a seguinte oração: “Senhor, não sabemos se vamos para a Venezuela. Envia-nos para qualquer lugar do mundo que serviremos com todas as nossas forças e todo o nosso coração, desde que não seja o Paraguai”.

“Mas creio que Deus deve ter olhado e dito: ‘É para lá que eu quero vocês’”, conta o Pr. Carlos Alberto da Silva. “Hoje entendemos que esse país era o lugar correto onde Deus queria usar nossas vidas. Já poderíamos ter ido à Venezuela ou outro país, mas entendemos que este é o lugar que Deus preparou para que estivéssemos todos esses anos”, conclui.

por Willy Rangel

ADOTE O CASAL CARLOS ALBERTO E LIDIA KLAVA DA SILVA


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