Mutilação genital: tolerância zero

6 de fevereiro de 2018

A data de 6 de fevereiro é o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Segundo as Nações Unidas, há 200 milhões de meninas e mulheres sobreviventes de um tipo de mutilação genital feminina, prática condenável que continua aumentando como reflexo do crescimento da população.

Guiné-Bissau é um dos países onde a mutilação genital feminina ainda acontece. Ali, nossa missionária Rosenilda Assis desenvolve o projeto Vida de Menina, que tem contribuído para uma mudança de mentalidade de meninas guineenses com idade entre 11 e 16 anos e, através delas, influenciar as novas gerações.

Também em Guiné-Bissau, o seriado “Caminho de Volta” dedicou um episódio para falar sobre a mutilação genital feminina.

Rosenilda conversou com a líder do Comitê Nacional para o Abandono de Práticas Nefastas (CNAPN) guineense, Quite Djta, que explica o porquê de a mutilação genital feminina ainda ser muito presente em Guiné-Bissau e também fala do combate à prática no país africano.

Rosenilda Assis: Por que a prática da mutilação genital feminina ainda acontece e quem realiza esta prática?
Quite Djta: Esta prática é uma tradição cultural, com suposta argumentação religiosa, segundo a qual meninas muçulmanas recebem orientação de que, após a mutilação genital feminina, podem orar de forma correta. Se não a fazem, ficam excluídas dentro da aldeia, não podendo cozinhar nos dias de grandes festas, inclusive o Ramadã, além de encontrarem dificuldades para conseguir um casamento. Não existe informação sobre isso no Alcorão, e os grandes países islâmicos não praticam a circuncisão. Alguns países praticavam por tradição e não por recomendação islâmica.

Rosenilda: Como costuma ser feita, em Guiné-Bissau, a mutilação genital feminina?
Quite: A faixa etária das meninas levadas por familiares para a mutilação genital feminina difere de cada etnia e família. Desde meninas recém-nascidas a 15 anos de idade sofrem a mutilação. Entre os fulas, são removidos o clitóris e os pequenos e grandes lábios. Entre os biafadas e mandingas, apenas uma parte do clitóris é removida.

Rosenilda: Há leis condenando a mutilação genital feminina?
Quite: Há leis visando a prevenir e condenando a prática. Mesmo assim, há etnias que realizam a circuncisão em bebês recém-nascidos, assim o choro não denuncia o ato. A mutilação é realizada por mulheres de idade ou alguém da geração das mesmas, chamadas de fanatecas.

Mudar um costume leva uma vida inteira, gerações até. Missões Mundiais apoia o combate à mutilação genital feminina em Guiné-Bissau e onde mais essa prática condenável acontece. Além de ações concretas, como o projeto Vida de Menina, cremos que o Grande EU SOU é o único capaz de modificar essa triste situação à qual estão sujeitas milhões de meninas e mulheres em todo o mundo. Apoie você também esta causa, para formar uma nova geração consciente de seus direitos e garantir um futuro feliz e com esperança.

por Willy Rangel

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