Homenagem e gratidão

20 de junho de 2018.

Há exatos 30 anos, no dia 20 de junho de 1988, Missões Mundiais enviava ao campo uma jovem vocacionada ao ministério com crianças. Seu nome: Terezinha Candieiro. Hoje ela tem a missão de coordenar uma de nossas principais ações: o PEPE (programa socioeducativo) presente em 29 país e com números expressivos. São mais de 560 unidades  que atendem a mais de 16 mil crianças, alcançando também suas famílias com a mensagem do Evangelho.

Terezinha fez questão de iniciar esta entrevista com um agradecimento: “Agradeço a oportunidade de compartilhar o que Deus tem feito na minha vida e por meio deste lindo ministério do PEPE no mundo”, disse.

Fazer parte de Missões Mundiais tem um significado especial para você?

TEREZINHA CANDIEIRO: Missões Mundiais entrou na minha vida de maneira providencial, como meio que Deus usou e usa para mobilizar igrejas para a obra missionária.  Apesar das minhas limitações, a JMM me deu a oportunidade de entender melhor minha vocação, de ser capacitada e preparada para a obra missionária no mundo, de conhecer servos de Deus que foram e são referências para mim. Além disso, me dá o privilégio de servir a Deus no ministério para o qual Ele me chamou. Sou muito grata e louvo a Deus por esses 30 anos de ministério nos campos de Missões Mundiais.

Como entendeu o seu chamado?

Meu chamado aconteceu quando eu era muito jovem, tinha apenas 17 anos. Desde que aceitei a Jesus senti um enorme desejo de conhecê-lo cada vez mais. Naquela ocasião, um versículo do livro de Provérbios falou muito ao meu coração: “Se sábio, filho meu, e alegra o meu coração para que tenha o que responder àquele que me desprezar”. O Senhor estava me ordenando para que eu O alegrasse sendo sábia, testemunhando com autoridade a qualquer um que me perguntasse sobre a razão da minha fé.

A preparação ao cumprimento do chamado apresentou dificuldades?

Naquela época eu estava terminando o segundo ano do Colegial. Lendo o Jornal Batista, vi uma reportagem sobre a Faculdade Teológica Batista de São Paulo e senti que era aquilo que o Senhor queria. Compartilhei com o Pr. David Klawa e a igreja a qual eu pertencia, a Igreja Batista da Lapa. Deus confirmou a sua vontade através do apoio dos irmãos. Cursei, então, o terceiro ano do Colegial e, em 1978, comecei a estudar Teologia com especialização em Educação Religiosa na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, terminando no ano de 1981.
Entretanto, ao concluir o curso, sentia-me imatura e indecisa sobre o que fazer ou para onde ir. Eu sabia que o Senhor tinha um plano para minha vida, mas ainda não entendia muito bem o que era.

Entender o chamado é complicado para muitas pessoas. E desenvolvê-lo?

Orei muito e surgiu a oportunidade de fazer o curso de Pedagogia. Em 1982 prestei vestibular, passei, fiz o curso e o concluí em 1984. Comecei a lecionar para o Ensino Fundamental e Ensino Médio. Gostava demais e procurava fazer meu trabalho como um ministério que Deus tinha colocado nas minhas mãos. Na sala de aula, e mais especificamente com as crianças, as portas se “escancaravam” literalmente para a pregação do Evangelho. Todos os meus alunos tiveram a oportunidade de ouvir de Jesus. Eu estava satisfeita. Porém, no meu íntimo, sentia o Espírito Santo do Senhor dizendo que tinha algo mais para a minha vida. 

E quando descobriu o que era este “algo mais”?

No ano de 1987, a convite de dois amigos e irmãos queridos, Roberto e Suzi, visitei a Igreja Presbiteriana de Vila Palmeiras. Era um culto de missões e a missionária convidada iria pregar e testemunhar sobre como Deus a usava entre os jovens no Sul do Brasil. No fim do culto o Pastor Reverendo Nasser fez um apelo aos vocacionados, àqueles que se sentiam chamados por Deus, para que se dispusessem a ir aonde o Senhor os enviasse. Atendi ao apelo e entreguei-me completamente ao Senhor.
Naquele mesmo ano participei de um congresso missionário Latino-Americano, durante o qual tomei conhecimento das necessidades de Moçambique e ouvi o chamado: “Passa a Moçambique e ajuda-nos...”. Compartilhei com a minha atual igreja, IB de Água Branca, que me apoiou e iniciou o processo para o meu envio ao campo missionário. Sentia o chamado para a África.

Foi neste ano que sua história começou em Missões Mundiais?

Sim. Apresentei-me à Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira em 1987. E, segundo os requisitos da época, antes de ir a outros continentes, eu deveria primeiro ser enviada a um país da América do Sul. Fui enviada ao Uruguai em junho de 1988 como missionária temporária por dois anos. Juntamente com a missionária Rosangela Ferro Dias, trabalhamos na evangelização e fortalecimento de uma congregação.  Ao terminar o período, senti firme que meu chamado continuava sendo para Moçambique.
Os procedimentos entre a JMM e a Igreja Batista de Água Branca continuaram e, em julho de 1991, fui enviada para Moçambique, onde muitos propósitos o Senhor teve para minha vida e para aquele povo. Lá servi por 15 anos. Sou imensamente grata a Deus por aquele tempo, por tantas experiências preciosas e por encontrar tantos amigos e irmãos que se tornaram parte da minha vida e da minha história. Tornaram-se meu povo também.

Como o PEPE entrou na sua vida?

O PEPE entrou na minha vida num momento de muito sofrimento e dor que Deus transformou em consolação e tem me dado a alegria de ver frutos e bênçãos.
Enquanto servi em Moçambique, conheci o Pr. Daipa Candieiro. Nos casamos e Deus nos deu a alegria de ter o nosso filho, Davi Candieiro. Pastoreávamos a Igreja Batista Ebenézer, na cidade de Nampula, no nordeste de Moçambique.
A igreja crescia com muito ardor evangelístico, empreendendo várias viagens missionárias aos distritos onde projetavam o filme Jesus em língua local, o Emakua, e faziam pregações evangelísticas.
Numa das viagens ao Distrito de Moma, no interior da província de Nampula, Deus operou e muitos se converteram. No retorno da viagem, o carro onde meu esposo estava bateu contra uma ponte e ele teve morte imediata, no dia 27 de fevereiro de 2000. Foi um grande choque para mim e para o meu filho, que na época tinha apenas quatro anos de idade.
Pensei que tudo tinha se acabado. Mas o Senhor  tem o controle de todas as coisas e nos ama mesmo quando não entendemos seus atos soberanos. Depois do sepultamento do meu esposo, Davi e eu retornamos ao Brasil, onde fomos tratados, cuidados e amados por nossos familiares, igreja, JMM e irmãos. Ficamos por nove meses, porém no meu coração o chamado não havia morrido, ainda sentia que deveria voltar e Deus preparou o nosso retorno!
Seis meses depois de estar no Brasil, encontrei com Pr. Stuart Christine, então secretário regional da BMS (Sociedade Missionária Britânica), que me falou sobre o PEPE, um programa missionário de educação pré-escolar que visa alcançar crianças, famílias e comunidades de maneira integral, levando-as ao conhecimento de Jesus Cristo.

O que aconteceu após este encontro?

O Pr. Stuart estava orando para que o programa se expandisse para países da África de língua portuguesa e, quando nos encontramos, tudo foi providencial. Dei-lhe os contatos da liderança em Moçambique, a qual ele visitou em companhia de sua esposa, Georgine Christine. Na ocasião, apresentaram o programa à Convenção Batista de Moçambique, que decidiu adotar o programa e convidar-me para retornar e ser a coordenadora para implantação deste ministério no país. Retornei com meu filho a Moçambique em novembro de 2000.

Como foi esta volta?

Como já conhecia o campo, a liderança, de certa forma foi fácil a introdução do PEPE. Tivemos a permissão do governo para desenvolve-lo livremente em todo território moçambicano. Durante um período inicial, trabalhamos implantando e desenvolvendo o PEPE em Moçambique, através de treinamento de missionários-educadores, preparação de todo o material pedagógico, de acordo com o sistema educacional e a pregação da Palavra às crianças, suas famílias e comunidades. No final de 2005, mais de 25 igrejas já haviam adotado o Programa, atendendo 1.200 crianças diariamente nas três capitais do país. Realmente Deus deu crescimento e continua a manter a Sua Obra.

De Moçambique para o mundo. Como tem sido o crescimento do PEPE?

Devido ao crescimento e expansão do PEPE em outros países também, viu-se a necessidade de criar o PEPE NETWORK, a “Rede do PEPE”, para facilitar a expansão, fortalecimento e desenvolvimento do programa no mundo. Por isso fui convidada pela nossa JMM, em parceria com a BMS e a ABIAH (Associação Brasileira de Incentivo e Apoio ao Homem) para retornar ao Brasil e daqui continuar a desenvolver meu ministério na coordenação geral e direção internacional do programa. Frequentemente, viajo a vários países por conta do trabalho de coordenação. Deus nos tem alargado as fronteiras, pois o campo é o mundo! Desejamos continuar a servi-lo debaixo da sua bênção e orientação sendo esperança para as nações.

Quais os motivos para se alegrar neste ano que completa 30 anos de JMM? E quais os desafios e metas?

Dentre as alegrias, destaco que este ano o PEPE completa 17 anos no campo estrangeiro. Que alegria poder acompanhar algumas crianças e ver como elas cresceram e se desenvolveram. Muitas já fazendo curso superior e servindo a Deus. Oro e trabalho para que mais crianças sejam abençoadas pelo PEPE.
Outra alegria é ver a grande equipe de mais mil missionários-educadores e coordenadores  servindo neste ministério  nos 29 países onde atuamos. É muito gratificante.
Com a grande expansão do PEPE construímos nosso primeiro Planejamento Estratégico com foco em expansão com excelência, procurando melhorar nossas ações e o atendimento às crianças, suas famílias e comunidades.
Em termos pessoais  oro para que nosso Deus me dê a graça, a força, a provisão e a sabedoria  para sempre ser bênção na vida do meu filho, Davi, que hoje tem 22 anos, estudando, trabalhando e iniciando sua vida adulta. Que ele sempre permaneça no caminho do Senhor e seja bênção para muitos. Ebenézer! Até aqui nos ajudou o Senhor!

 

por Marcia Pinheiro

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Uma resposta para “Homenagem e gratidão”

  1. Ruth Delma Dantas disse:

    AMO O Pepe, acredito ser uma ferramenta de Deus para preparo e evangelização de crianças.
    Em 2010, como missionária em um quilombo Aldeia,em Sergipe,vendo a carência das crianças propus abertura do PEPE sob coordenação da missionária MARTA NOGUEIRA.
    Enquanto ali estive vi o poder de Deus transformando,educando nos princípios bíblicos e ético.
    Nossa gtayidão pelo PEPE E sua Coordenadora internacional Terezinha Candieiro.

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