Guatemala: gravidez na adolescência

14 de junho de 2017

A igreja que estamos pastoreando aqui na Guatemala recebeu no fim do ano passado um centro estudantil que conta com 311 alunos com idade até mat_gravidez-adolescencia18 anos e, pela primeira vez, pudemos ver de perto o que já havíamos constatado um pouco mais de longe: a quantidade de adolescentes grávidas entre 10 e 14 anos. Em nossa própria igreja, uma adolescente engravidou e soubemos quando retornamos recentemente do Brasil. Ou seja, somente agora estamos compreendendo melhor sobre esse problema na Guatemala.

Muitas adolescentes engravidam porque querem sair de casa e, como de costume, as meninas se mudam para a casa dos pais do adolescente que a engravidou. Nota-se, então, que não se trata somente de educação sexual, mas de problemas familiares.

Outro grave problema são os casos de estupro dentro do próprio lar. Somente em 2017, há 1.441 casos de gravidez na mesma faixa etária fruto de estupro. Em 2015, houve 2.947 partos em meninas de até 14 anos de idade, enquanto somente no primeiro trimestre de 2016, houve 687 partos na mesma faixa etária das mães. Vemos, portanto, que esse problema está crescendo em todo o país e podemos sentir isso dentro da própria comunidade onde pastoreamos.

Uma das pessoas que recentemente se tornou membro de nossa igreja é fruto do trabalho de alfabetização de adultos que estamos realizando na igreja com a coordenação da minha esposa, a missionária Viviane Pinheiro. Cito esse caso porque se trata de uma mulher que engravidou do próprio padrasto e o filho dela – fruto desse abuso – sofre muito com essa realidade, tendo algumas vezes agredido o pai – que ainda vive com a avó dele –, além de ter problemas de baixa autoestima, com álcool e de criar problemas para a mãe, que já foi ameaçada por traficantes de ser expulsa da comunidade por causa do filho.

Fico imaginando que esse é somente um caso e me lembrando de que somente este ano já são 813 casos de adolescentes grávidas ainda tão jovens, muitas delas pelos próprios pais, padrastos, tios… A maioria paupérrima, sem nenhuma garantia social, tendo que abandonar os estudos para trabalhar. Assim, perpetuam o estigma, além de não conseguir romper o ciclo da extrema pobreza.

Com base nessas informações, estamos revendo algumas ações do ministério de aconselhamento pastoral ainda este ano. Não podemos ignorar a realidade que está diante de nós, e por isso, realizaremos no dia 24 de junho uma atividade do centro estudantil nas dependências de nossa igreja. Receberemos ali em torno de 400 pessoas, entre pais, mães, tios e avós. Nosso objetivo será criar uma aproximação com eles e não somente com os estudantes, fazer um trabalho pastoral diretamente com as crianças e os responsáveis, buscando identificar a situação de cada uma dessas famílias.

Também promoveremos eventos que tratem do tema familiar à luz da Palavra de Deus, pois cremos que o Evangelho pode fazer jorrar rios dentro de desertos áridos.

Sabemos que somente naquele dia, quanto Ele restaurar todas as coisas, não haverá mais dores nem lágrimas, e é Nele – e nesse dia – que devemos preservar nossa mente. Enquanto Ele não volta, seguiremos fazendo aquilo que Ele nos ordenou fazer: testificar sua obra na cruz, ser sal e luz e pregar o Evangelho a toda criatura até os confins da terra.

Rodrigo Pinheiro
missionário na Guatemala

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