Crentes, mas nem tanto

4 de janeiro de 2018

Moçambique é uma antiga colônia portuguesa na costa leste africana, onde o componente multirreligioso está presente no dia a dia das pessoas. O islamismo tem força ali, e religiões orientais, como o budismo, tem ganhado espaço, muito devido ao grande fluxo de chineses em direção à África, sobretudo em investimentos.

Desde 1984 em Moçambique, a missionária Noemia Cessito diz que isso não é tudo, pois também é grande a necessidade de evangelizar os cristãos nominais, pessoas que se dizem cristãs, mas que não vivem plenamente o Evangelho e estão amarradas a antigos costumes. É o que ela tem observado em uma localidade próxima ao Dondo, onde atua.

“Visitamos Caia, um distrito que fica a seis horas de onde estamos. Ali funciona nossa missão, que será organizada em igreja em 2018. Um trabalho bonito e, graças a Deus, forte”, conta Noemia. “Mas em um momento de oração pelas mulheres, uma delas veio com cordas no pescoço, disse que tinha sonhos ruins e que sabia que tinha feito muitas coisas que não agradavam a Deus e começou a citar algumas, frisando que estava arrependida”, relata.

Juntamente com uma equipe, Noemia perguntou à mulher se ela queria confessar pecados, e assim o fez. A missionária perguntou sobre uma corda que a mulher carregava presa ao pescoço, pois sabia que era um amuleto. No entanto, ela respondeu afirmando que era apenas um colar. Voltou ao lugar e veio outra pessoa, que contou estar muito doente, ia ao hospital e não se curava, tinha pesadelos e não sabia o que era paz.

“Perguntamos se tinha alguma coisa em seu corpo. Ela respondeu: ‘O amuleto que o profeta deu’. Profeta é um curandeiro disfarçado. Então, pedimos a ela para confessar Jesus e tirar o amuleto, explicando que aquilo era uma amarra do inimigo na vida. Se a fé dela estava naquela corda, não adiantaria orar. Ela precisava renunciar àquilo para ser livre, senão nunca teria paz”, diz Noemia.

Enquanto a mulher ouvia tudo isso, a primeira que veio até a equipe confessou Jesus e arrancou o amuleto do pescoço. Mas a segunda resistiu, dizendo que morreria se tirasse o amuleto.

“Falamos da vida que Jesus oferece aos que creem em seu nome, apresentamos novamente Jesus como Salvador a ela, que disse que o tiraria sozinha e não nos permitiu orar por sua libertação”, conta a missionária.

No domingo seguinte, as mulheres tiveram uma programação especial, dançando e cantando, mas aquela mulher preferiu ir embora sem se libertar, como ressalta Noemia.

“Ela agora sabe da verdade, mas prefere viver na duplicidade. Doeu-nos o coração ver alguém que se diz cristã, que participa nos cultos, estar amarrada ao inimigo. Falamos com líder local da missão e pedimos a ele que fosse ao encontro dela”, diz. “Fica um alerta para nós, pois com as ocupações do dia a dia, acabamos esquecendo a quem servimos. Mas se você já fez a sua escolha, resolveu seguir a Jesus de perto, a propagar o Evangelho e orar por nós, estamos aqui para que outros, como aquela mulher, sejam livres”, conclui a missionária.

por Willy Rangel

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