A história de Raja

23 de maio de 2018.

Quero contar para você a história de uma refugiada síria, a Raja, cujo nome árabe significa Esperança. Como toda jovem árabe, Raja sonhava com o dia em que se casaria com um jovem de boa família e que juntos veriam um melhor futuro para seu país. A “Primavera Árabe”, movimento libertário que em 2010 marcou o Oriente Médio e o Norte da África, não cumpriu com sua proposta e Raja presenciava a piora da Síria, deixando a nação muito diferente das histórias que seus pais e avós contavam em família.

A guerra fez com que deixassem tudo para trás para buscarem refúgio em outro país da região, uma terra que não faz fronteira com a Síria e que tem recebido alguns milhares de refugiados. Naquele novo lugar ela percebia o quanto seu pai se esforçava em dar condições dignas de sobrevivência e esperança à sua família. Todos os dias ele contava histórias sobre os dias prósperos de seu pequeno negócio em Damasco. Era um tempo difícil para todos, mas Raja não perdia a esperança de dias melhores.

Como parte do processo de espera, Raja se apaixonou por um jovem sírio, também refugiado, decidido a ir em busca de melhores condições na Europa. Era um plano perfeito, uma nova vida, num novo lugar. Mas esse sonho só poderia ser realizado se o novo casal enfrentasse os perigos de uma viagem desumana para um país do Norte da África, onde seriam expostos aos “coiotes". Esse é um grupo de criminosos que cobram, e muito, para proporcionar a travessia perigosa de refugiados para a Europa pelo Mar Mediterrâneo.

Mesmo com todos os problemas, os dois entenderam que aquela era, de fato, a melhor estratégia e decidiram enfrentar a jornada. Juntaram todas as economias e partiram, junto com palestinos, sírios, africanos, muçulmanos, cristãos, famílias inteiras, naquele precário barco rumo a uma vida melhor.

No quarto dia da perigosa travessia, o barco foi atacado por piratas e foi danificado; houve um naufrágio de quase 500 pessoas. Alguns, por não mais aguentarem a espera de socorro, começaram a retirar os salva-vidas e simplesmente se entregavam à morte no mar. Pais e mães deixavam seus filhos com os poucos sobreviventes para que tivessem um futuro melhor. Três dias depois do naufrágio, o noivo de Raja faleceu, mas antes disse: “Perdoe-me por coloca-la nessa situação!”.

Apenas 11 das 500 pessoas sobreviveram. Raja, de apenas 19 anos, estava agora com duas crianças aos seus cuidados, e começou a questionar o porquê do significado de seu nome ser Esperança. Uma das meninas não resistiu, mas a outra, ainda de colo, conseguiu sobreviver e passou a ser notícia num país europeu como o milagre que aconteceu nas águas do Mediterrâneo.

A história da garotinha levou os jornais daquele país a saberem que foi a Raja quem a sustentou durante aqueles dias. A imprensa veiculou matéria sobre a coragem, resiliência e esperança de uma refugiada que, além de sobreviver, ajudou outra vida a seguir acreditando que as coisas podem melhorar. Raja recebeu honrarias e hoje sonha em ser advogada, para ajudar a diminuir o sofrimento no mundo.

Em 2018, a guerra na Síria completa 7 anos, tornando-se a pior tragédia humanitária na História Moderna, depois da Segunda Guerra Mundial. Esta é mais uma história real de quem tem sofrido com os conflitos, contada nos relatórios da ONU e de ONGs que ajudam diretamente os refugiados. Porém, o que isso tem a ver conosco? Até quando seguiremos ouvindo histórias como essa e continuaremos acreditando que não é um problema nosso? Várias “Rajas” precisam conhecer o EU SOU, aquele que é a única Esperança às nações.

Acesse www.nun.org.br.

Caleb Mubarak



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