O primeiro missionário

João Jorge de Oliveira (1882-1957) foi o primeiro missionário das igrejas batistas do Brasil em Portugal. Converteu-se na Congregação Batista do Engenho de Dentro/RJ, em 1898, quando tinha 16 anos, ouvindo o vibrante evangelista Pedro Sebastião Barbosa (1858?-1921), decisão confirmada posteriormente após ouvir outro grande evangelista, Florentino Rodrigues da Silva. Estudou nos Estados Unidos, na Universidade de Baylor, e lá foi consagrado ao pastorado. Retornou ao Brasil e trabalhou em Belém/PA como representante da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

Em 1910, João Jorge de Oliveira chega novamente a Belém e decide visitar a sede da Junta de Missões Estrangeiras, cuja sede estava na cidade de Recife/PE, e cujo Secretário Correspondente era o missionário Salomão Ginsburg. Lá manifesta o seu propósito de seguir para o campo missionário, recebendo total apoio dos membros da Junta. Seguiu para a cidade de Campos/RJ, onde seria realizada a 5ª Assembleia da Convenção Batista Brasileira, e lá representou a Missão do Amazonas.

Exatamente na noite de 23 de junho de 1911, a Comissão deu parecer sobre Missões Estrangeiras, liderada pelo Pr. William Buck Bagby e coadjuvada pelos pastores Alberto Lessa e José Gresenberg, e recomendou: 1) que os batistas brasileiros continuassem a sustentar o trabalho no Chile; 2) que o irmão João Jorge Oliveira fosse imediatamente enviado para Portugal; e 3) que as igrejas trabalhassem para levantar 10 mil contos de réis, durante um ano, para esta obra missionária urgente e importantíssima.

Finalmente aprovado o parecer, e depois da entusiasmada palavra do novo missionário, João Jorge Oliveira, o Presidente da Junta, James J. Taylor, convocou um momento de consagração com imposição de mãos dirigido em oração pelo irmão Ernesto Alonso Jackson. Eram membros da Junta de Missões Estrangeiras: Ernesto A. Jackson, Francis Marion Edwards, James Jackson Taylor (Presidente); Salomão Luiz Ginsburg (Secretário Correspondente), John Watson Shepard, Theodoro Rodrigues Teixeira, Menandro Martins (Secretário Arquivista), Thomaz Lourenço da Costa (Tesoureiro), J. A. Gouveia (Vice-presidente). Antes de seguir para Portugal, João Jorge de Oliveira passou por Garanhuns/PE, onde se casou com Prelediana Frias, pernambucana e filha de portugueses.

Nos primórdios do trabalho batista brasileiro no exterior, um nome merece ser lembrado: Antônio Maurício (1893-1980). Foi ele ganho para Jesus através da instrumentalidade de um brasileiro não-crente chamado Lourenço Deoclécio de Melo. Foi batizado pelo missionário João Jorge Oliveira no dia 19 de outubro de 1919, no Rio Pavia. Depois de pouco mais de um ano, segue para Angola, que havia sido atacada pelos alemães.

Retornou a Portugal, de onde João J. Oliveira o encaminhou ao Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeir, formando-se em Letras e Artes e tornando-se Mestre em Teologia. Na cidade do Rio de Janeiro foi consagrado ao pastorado no dia 11 de setembro de 1919, no templo da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, a pedido da Igreja Batista da Tijuca. Antônio Maurício retornou a Portugal onde pastoreou a PIB do Porto (1920-1934), IB de Leiria (1934-1957?), e a IB de Coimbra (1961). Sua primeira esposa foi Alice Mingot. Com seu falecimento, casou-se com Adalgiza Wanderley.

A partir de 1925 começam a seguir os missionários autenticamente brasileiros para o exterior: o casal Achiles de Vasconcelos Barbosa e Djanira Schueller Barbosa, e Eduardo Gobira e Herodias Neves Gobira, ambos os casais em 1936; Hélcio da Silva Lessa e Odete Faria Lessa, em 1953; e a partir de 1971 um número sempre crescente de missionários era enviado, inclusive alcançando Portugal Insular (Açores).

Textos de Othon Ávila Amaral, historiador, membro da IB Betel em Mesquita (RJ).

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